Escrito por: Filipe Coelho

 

      Hoje tive um dia atípico, de fato começou ontem à noite. Estava eu tentando ganhar algumas moedas de bronze, rezando por ao menos uma moeda de prata e disponível a qualquer negócio para ganhar uma moeda de ouro (talvez com algumas ressalvas) na Taverna Pônei manco, o sr. Trod, dono da taverna, sempre deixa eu cantar e contar minhas histórias, pois mesmo nos dias cheios de colheita os moradores de Eltihem vem em busca do meu entretenimento, e bebem muito, muito mesmo, sério, dá até medo!

      Tudo estava indo bem até o momento em que percebi que naquela noite apenas homens estavam na taverna, geralmente algumas mulheres também vem, pois minhas histórias e minhas músicas são boas (ao menos para mim, e levando em consideração que me dão moedas e me pagam bebidas, bom, imagino que devem ser para eles também). Continuei a cantar e tocar meu alaúde enquanto todos pulavam, dançavam e batiam uns nos outros sem um motivo bem estabelecido, quando de repente, algo me chamou a atenção na entrada da taverna, parada ali com uma aura de superioridade indescritível meus olhos contemplaram a elfa mais bela que eu já vi na minha vida, não tenho palavras humanas e nem élficas para descrever tal magnitude. Eu a estava admirando tanto que não percebi que havia parado de tocar a musica, ela olhou para mim e só consegui imaginar a cara de warg sem dono que eu estava fazendo, quando gritaram gentis palavras como “Cadê a música VAGABUNDO!”. Fiquei desconcertado, pedi desculpas e continuei minha música, mas de quando em quando, olhava para ela que agora estava sentada em uma das mesas da taverna tomando hidromel e me assistindo no meu espetáculo que, graças àquela motivação extra começou a me render uma boa quantia de moedas e bebidas pagas na taverna, nunca toquei tanto e tão bem com certeza aquela era a musa que eu sonhei em encontrar um dia.

      O tempo voou muito rápido e, assim como a todos que ali estavam, nem vi a noite passar. Quando a Luz do amanhecer começou a despontar e os bêbados começaram a cair, achei que era hora de parar a música. Olhei para ela mais uma vez e percebi que a minha diva ainda estava lá altiva em sua áurea de magnitude e elegância, não aparentava nem um pouco de cansaço, então, larguei meu alaúde e resolvi tomar uma bebida antes de tomar uma atitude. Ao pegar a bebida perguntei ao Taverneiro o nome daquela senhorita que roubara meu coração, ele olhou ao redor curioso e me indagou “a que senhorita você se refere? não vejo nenhuma aqui na taverna”, eu poderia ter percebido que havia algo errado, mas insisti, porque eu sabia que aquela oportunidade valia mais do que as moedas que havia arrecadado naquela noite, sendo assim, perguntei novamente: “Como não vês homem? ela entrou com seu brilho e elevou o nível dessa espelunca”. O sr. Trod olhou para mim com um olhar estranho e depois por um momento com uma cara de caridade, comecei a ficar intrigado e nervoso ao mesmo tempo. Então o sr. Trod disse “Criança, não gosto de brincar com os sentimentos das pessoas, mas creio que está cometendo um erro”. Neste momento, fiquei extremamente irritado, eu não podia estar cometendo erro algum, como ele podia dizer aquilo? Pensei 10 vezes antes de quebrar meu alaúde na cabeça dele, no entanto, ao invés disso eu falei, “Sr. Trod, sabe que não cometo erros, poderia ao menos, por favor, responder minha primeira pergunta? Talvez você esteja com medo, porque ela deve ser filha de algum nobre, mas não tema, qualquer coisa que venha a acontecer deixarei claro que a culpa é minha”. O velho parou de lustrar um copo, prostrou sobre mim um olhar cansado e suspirou dizendo: “Meu jovem, sinceramente, eu acho que não combina com você, podemos acabar essa conversa por aqui e nunca mais tocar no assunto”. Aquele velho já estava me tirando do sério, que papo era aquele? no entanto, rapidamente, me perdi em pensamentos e começava a ficar cada vez mais vivaz, as baladas às quais eu cantava, as histórias às quais eu contava, começara a acontecer comigo, uma donzela nobre que veio visitar a plebe e se apaixonou por um simples bardo que ganha a vida com um pouco a cada dia, que magnífica história começaríamos a escrever juntos?. Todavia eu ainda nem sabia o nome dela, dessa forma, me forcei a sair dos meus devaneios e decidi, se o velho não vai me ajudar eu vou agir com minhas próprias forças e meu charme, tomei de um gole só mais da metade de uma caneca da cerveja que me restara e levantei com toda a confiança que o álcool podia me dar, ao caminhar em direção à ela senti o peso de seu olhar sobre mim, me medindo de cima abaixo, me sentia um mero mortal caminhando ao encontro de uma entidade poderosa, quando cheguei perto, juntei toda a coragem que podia e minha habilidade teatral e perguntei:

– Com toda licença e respeito minha cara, mas como te chamas?

– Bartolomeu! – Ela respondeu.

 

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