Escrito por: Filipe Coelho

Começou a ler agora? Vá para o primeiro capítulo.

  

   O barulho aumentava lá fora, como se cada vez mais pessoas estivessem chegando. Apesar da confusão que aumentava, era possível escutar de quando em quando, os lamentos do taverneiro, “Não é necessário senhor, já devem estar mortos” ou “Ah, minha preciosa taverna”. Enquanto isso, o elfo tinha andado até o meio do salão, pensativo. Olhei para ele completamente indignado, porque tanta tranquilidade? Nós iríamos ser queimados vivos. Passei pelo elfo a caminho da porta da frente, decidido a dar o fora dali.

   – Onde está indo bardo? –  Interrompeu-me o elfo, sem ao menos olhar para mim.

   – Você pode ficar aqui se quiser, mas eu não esperarei o fogo me consumir! – Respondi parando e olhando para trás.

   – Suponho que você prefira enfrentar um exército de amantes das trevas, pois é o que encontrarás se sair por esta porta! – Advertiu-me Bartolomeu.

   – Talvez seja melhor esperar mais um pouco! – Dei de ombros voltando para o balcão.

   Peguei outra garrafa de vinho e levantei-a na direção do elfo que ainda estava estudando o aposento, ele olhou para mim por um acaso e balançou a cabeça em um sinal de que a garrafa que eu pegara estava limpa. Abri a garrafa de vinho e enchi a taça, dei um gole.

   – Então Bartolomeu, ficaremos aqui até que eles nos queimem vivos? – Tentei puxar assunto saboreando a bebida, transparecendo mais calma do que realmente possuía.

   – Não seja petulante bardo, se sairmos agora morreremos, ainda nos resta algum tempo antes que eles realmente queimem o lugar. – o elfo falou enquanto caminhava em direção a uma das mesas localizada em um dos cantos da taverna.

   – Você sabe que eles podem entrar a qualquer momento, certo? – Falei tomando mais um gole do vinho.

   – Eles não se arriscarão! – Afirmou o elfo distraído observando o chão onde estava parado.

   – Como tem tanta certeza? – Perguntei, claramente incomodado.

   – Por aqui, venha. – Interrompeu-me o elfo.

   Bartolomeu empurrou a mesa para o lado, evidenciando uma pequena porta no chão. O elfo puxou-a com força para cima, porém a mesma não se moveu.

   – Deixe comigo – Tomei o vinho que me restara na taça e caminhei até o elfo.

   Peguei meu alaúde, sempre deixava sobrando um pedaço da corda Sol no cravelhame, era um dos meus segredos, conseguia fazer algumas coisas diferentes com este instrumento, no entanto, não sabia ao certo o motivo. Inseri a corda na fechadura enferrujada e toquei uma melodia breve e suave, a fechadura destravou com um ruído alto. Olhei para o elfo com uma expressão de triunfo, porém, caso Bartolomeu estivesse surpreso, não demonstrou. Puxamos a pequena porta para cima com certa dificuldade, pois as dobradiças estavam em condições deploráveis devido à ferrugem, parecia que aquela porta não tinha sido aberta por eras, ou nunca tivesse sido aberta um dia.

   Apesar do vinho quente que havia bebido, o ar gelado que entrou pela passagem fez com que meus dentes trincassem, almejei o fogo, porque estavam demorando tanto para incendiar a taverna?

   – Vamos entrar aí? – Falei me recusando a pensar na possibilidade.

   – Sempre há uma escolha Falax, podemos entrar ou ficar e esperar a morte.

   O elfo caminhou rapidamente até o outro canto da taverna, onde a luz da lareira e das luminárias não chegavam, então puxou algo de trás de uma das mesas. Quando Bartolomeu saiu da escuridão, vestia uma capa verde com um capuz longo e um pequeno tecido que percebi ser uma bolsa que modelava-se ao corpo, um arco grande de carvalho com adornos esculpidos e uma aljava de couro com flechas destacavam-se acima de seus ombros. Com uma das mãos, jogou para mim uma capa semelhante a que vestia. Comecei a vesti-la rapidamente, pois o frio que saía da passagem abaixo de mim estava me consumindo, naquela noite estava vestindo apenas uma camisa longa e minha usual calça e botas de couro.

   Assim que coloquei a capa, ouvi o crepitar de madeira queimando acima de nossas cabeças. Peguei rapidamente minha bolsa e meu alaúde, todavia, antes que os jogassem nas costas um estrondo fez-se ouvir, olhei para o teto, e com um clarão o fogo começou a entrar e se espalhar rapidamente pelo salão, quando algo envolto em chamas do tamanho de dois homens, caiu bloqueando o caminho do elfo que vinha em minha direção. No momento em que tocou o chão, aquela coisa olhou para mim com as órbitas profundas envoltas em trevas que pareciam consumir toda luz e fogo, minhas pernas vacilaram e minha visão começou a ficar embaçada, sentia apenas as pulsações do meu coração alta em meus ouvidos, que iam ficando cada vez mais lentas, algo chamou a atenção daquela aberração e, no momento em que virava, meu corpo cedeu, senti uma queda que parecia não ter fim, primeiro a dor, depois o vazio.

 

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Comic Con Xp 2014

   O Barba do Bardo visitou a Comic Con Xp 2014! Confira um pouco do que rolou por lá Infelizmente, um dos Bardos não pôde comparecer por conta de algumas mil milhas de distância, mas ano que vem será ainda mais épico! =)

HAHAHA! hello BÁ-TI-MA!

Faça o que quiser, mas não toque na armadura! Até o hulk fez pose para fotos. Foi difícil, mas o Gepeto alcançou o Flash. Gandalf, o cinzento e Gepeto, o magrelo. Tá rindo de quê, garoto? KA-ME-HA-ME-HAAAAAAAAAA!    Encontramos o Samuel Fonseca autor de um dos quadrinhos mais sensacionais que já lemos “Eventos Intrigantes da Era da Ferrugem”. Para aqueles que conhecem e acompanham a série, sabem do que estamos falando, para aqueles que ainda não conhecem, vale muito a pena conferir este trabalho. Uma trama muito bem elaborada com muitos mistérios e uma ilustração impecável. Dêem uma olhada e leiam, temos certeza que vão gostar, o conteúdo pode ser lido on-line no endereço abaixo:
http://eradaferrugem.com.br/

O conteúdo é lançado aos poucos, então curtam a página no facebook para receber atualizações sobre a obra:
Página Era da Ferrugem


Cavaleiros da Taverna Redonda #4


Profissão Super-Herói #3

Se alguém te atrai assim como o Magneto atrai o Homem de Ferro, case-se!!!


 

                                                                                                        Escrito por: Filipe Coelho

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   Cheguei na taverna Pônei manco quando o manto noturno já cobria a cidade, estava motivado e esperançoso para ganhar mais moedas, esperava ganhar ao menos metade do que tinha ganhado na noite anterior. Entrei com um sorriso radiante e com uma dramacidade espetacular graças ao vinho, porém toda a animação foi-se por terra quando percebi que havia apenas duas pessoas na taverna esta noite, o taverneiro e um elfo, que me lembrou o motivo embaraçoso de eu ter ganho tantas moedas. O elfo estava sentado no balcão de frente para o Sr. Trod e de costas para a entrada, ele se virou assim que entrei, e o velho taverneiro me chamou com ar jovial:

  – Jovem Falax! nosso amigo Bartolomeu estava te esperando!

  – Onde estão todos? Porque a Taverna está vazia? – Falei ainda tentando me adaptar ao lugar vazio e ignorando a presença do elfo.

  – Bom, parece que eles tiveram alguns problemas com as plantações e estão tentando resolver. – Disse Sr. Trod.

  – Que tipo de problema os fariam postergar a hora da bebida? – Indaguei-o surpreso.

  – Eu não sei criança, mas parece sério, o ministro foi para os campos tentar convencer a todos para voltarem para suas casas.

– O ministro? – Balbuciei começando a ficar preocupado.

– Sim, por isso acho que é algo sério, mas ele só passou aqui para molhar o bico e não quis conversar muito sobre o assunto.

   O que me preocupava era que o ministro não vinha à essas terras há muito tempo, apenas os cobradores de impostos do rei aparecem por aqui; e o povo de Eltihem nunca perde a chance de beber, ouvir histórias e dançar. Outro fato estranho é que eu não via uma mulher de verdade desde a chegada do maldito elfo, que brincou com meus sentimentos, quer dizer…Ah, você entendeu. As mulheres de Eltihem eram verdadeiras donzelas, com suas peles macias e olhar esperto, eram fortes em sua maioria, poucas aparentavam cansaço apesar de trabalhar duro para manter suas casas, enquanto os maridos trabalhavam no campo. Essas mulheres eram graciosas para um homem sóbrio, e verdadeiras deusas para um bêbado. Ah, Diana, linda Diana, uma das jovens mais formosas de Eltihem, com um corpo que deixaria qualquer nobre a seu comando, um olhar penetrante quando dançava e as ondas de seus cabel….

  – Isso é só o começo pelo que há de vir. – disse o elfo de repente, fazendo-me interromper meus pensamentos.

  – O começo de quê? – Perguntou Sr. Trod.

  – Um mal se levanta ao norte e aos poucos vai caminhar para as terras baixas e se propagar por toda a extensão de Midnard! – O elfo falou com um olhar perdido.

   Virei para o taverneiro e cochichei:

  – Primeira vez que vejo um elfo louco!

   Mas o sr. Trod não me deu atenção, estava encarando o elfo com um olhar indecifrável. O elfo virou-se para ele e disse:

  – Algum problema senhor?

  – Com licença rapazes, preciso pegar mais vinhos na adega, no entanto, aqui está uma garrafa de hidromel para que refresquem a garganta. – Dizendo isso, o sr. Trod colocou uma garrafa de hidromel em cima do balcão, virou-se e sumiu no fundo da Taverna.

Peguei a garrafa e dois copos para servir, quando o elfo segurou minha mão com força, fazendo com que eu soltasse a garrafa, que caiu e se estilhaçou em mil pedaços.

  – VOCÊ ESTA LOUCO? – Gritei a plenos pulmões pegando meu alaúde para quebrar na cabeça dele.

  – Acredite em mim, você não ia querer tomar aquela bebida! – Bartolomeu disse calmamente.

  – COMO NÃO? EU ADORO HIDROMEL, SEU PORCO INÚTIL! – Gritei novamente segurando o alaúde acima da cabeça.

  – Pare de besteira bardo, guarde esse alaúde e vamos sair daqui, eles chegarão em breve! – Falou o elfo ainda com tranquilidade.

  – Do que você está falando seu maluco? – Perguntei com um pouco de curiosidade, e esquecendo por um momento a bebida perdida.

  – Escuta rapaz, não tenho tempo para explicar, apenas guarde este instrumento, devemos partir imediatamente. – O elfo falou perdendo um pouco da paciência em sua voz – Se quer tanto beber, pegue outra garrafa ou lamba o chão e seja consumido pelo veneno! – Acrescentou ele se levantando.

Veneno? de que diabos aquele orelhudo estava falando? Resolvi que um confronto não era algo inteligente, pois o elfo carregava uma longa espada embainhada na cintura e meu instrumento era precioso para mim. Guardei meu alaúde deixando claro que ainda estava extremamente incomodado, lançando-lhe o olhar mais feroz que pudia fazer. O elfo me olhou com uma cara de desdém e apontou algo atrás de mim no chão, olhei e me assustei, onde a garrafa havia caído jazia um buraco aberto por corrosão. No momento que encarava o chão um barulho alto fez-se ouvir no fundo da taverna, olhei assustado, o elfo olhou para mim e suspirou cansado dizendo que eles haviam chegado e acenou para que eu o seguisse. Ainda desconfiado o segui até o caminho que o taverneiro havia tomado e parei atrás do elfo.

  – Apenas escute! – cochichou o elfo

   Uma voz gutural vinha de fora da taverna, próxima à parte de trás da construção. A voz carregava violência em suas palavras.

  – Eles estão sozinhos? – Perguntou a voz.

  – Sim, senhor – Respondeu outra voz que reconheci ser o Sr. Trod.

  – Queimem a Taverna! – Comandou a voz assustadora.

   Corri o mais rápido que pude em direção à estante de bebida próxima ao balcão, peguei uma garrafa de vinho levantei-a em direção ao olhar do elfo.

  – Essa é vinho ou veneno? – Perguntei rapidamente.

  – Vinho. – Respondeu o elfo surpreso.

  – Vamos dar o fora daqui – Falei jogando a garrafa dentro da bolsa.

 

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Cavaleiros da Taverna Redonda #3


Descanse em paz, Vermelhinho.

Uma singela homenagem do Barba do Bardo a um grande herói que mesmo com movimentos friamente calculados, nos encanta com sua simpatia calorosa.  


Profissão Super-Herói #2

Já pensou se os super heróis morassem ou viessem ao Brasil??


                                                                                                    Escrito por: Filipe Coelho

Começou a ler agora? Vá para o primeiro capítulo.

 

   Bartolomeu? Como assim é macho? Meu mundo começou a desabar e comecei a observar rapidamente aquela figura à minha frente. Ok…agora percebia que ele não tinha os atributos de uma mulher, e não faça essa cara, você sabe o que quero dizer com atributos femininos. Agora me lembro vagamente…Eu acho que comecei a beber cedo, eu sabia que não tinha sido só algumas cervejas. A culpa é do álcool ou será que tenho alguma tendência por elfos do sexo masculino? NÃO, definitivamente foi o maldito álcool.

   – Então, Bartolomeu, huh? Perdoe-me, mas estou com uma certa pressa agora, tenho que resolver um problema em Saltihem, de qualquer forma, prazer em te conhecer!  

   Saltihem? O que eu faria lá? Eu teria que caminhar ao menos por uns 10 sóis até chegar lá, mas foi a única coisa que me veio na cabeça. Me virei e comecei a me afastar da mesa quando senti uma mão em meu ombro, vagarosamente olhei para trás e dei de cara com Bartolomeu que disse:

   – Você não me disse seu nome, jovem bardo.

   – As pessoas me conhecem como Falax senhor – Disse sem encará-lo nos olhos.

   – Pois bem jovem Falax, que afortunada coincidência, estou indo para Saltihem também, acompanharei-o se me permitir.

   Eu não podia ser rude, mas tampouco queria a companhia dele, já estava embaraçoso demais permanecer naquela taverna e agora todos os bêbados que ainda conseguiam se equilibrar em suas pernas bambas começavam a olhar estranhamente para mim, talvez estava evidente meu erro.

   – Me perdoe senhor Bartolomeu, mas não poderei partir hoje e não gostaria de tomar seu tempo e nem atrapalhar seus planos. – falei com um desespero quase evidente, eu precisava sair de lá.

   – Bom, se tiver algum problema além de não conseguir distinguir um homem de uma mulher,

me diga e talvez eu possa ajudá-lo! –  O elfo falou com um meio sorriso.

   – N-não, foi um mal entendido eu gosto de MULAS! – Balbuciei enquanto minha visão começava a ficar turva.

   – Como?

   – MULHERES. Eu gosto de mulheres! – A bebida estava subindo à minha cabeça, me virei e comecei a andar.

   – Foi um plazer te conceder Bartomoleu, acho que temo que ir agora. Hic! – Ouvi o elfo perguntar algo ao Sr. Trod e ele responder “todo dia é assim, a bebida parece subir de uma vez”.

   Acordei no meu quarto da estalagem Corno de Ferro quando o sol já ia se pondo, estava morrendo de fome, olhei na minha bolsa e percebi que apesar de estar bêbado novamente nessa manhã, ao menos lembrei de pegar minhas moedas. Cara, como eu ganhei tantas moedas assim? Bom, não importava, agora eu podia, ao menos, pagar parte da minha dívida e conseguir postergar minha estadia por mais alguns sóis. Eu vinha dormindo na estalagem o verão todo e mestre Aljor, dono da estalagem, estava me cobrando por tempos o pagamento pela estadia, ameaçando me entregar para os guardas do rei se não pagasse até o começo do outono. Tentei inúmeras vezes fazer um acordo de entreter seus hóspedes como forma de pagamento, no entanto, o homem é supersticioso e diz que algumas das histórias que conto trás mau agouro. Tento incansavelmente ganhar o dinheiro de que preciso, mas a arte nesses tempos não está sendo algo lucrativo. De qualquer maneira, minha dívida estava muito grande e eu não tinha como pagar de forma alguma.

   A fome estava me incomodando, me levantei e desci, ao chegar na cozinha percebi que mestre Aljor estava sorridente, o que era algo raro de se ver, pois sempre estava carrancudo e gritando ordens até aos clientes. Peguei meu saquinho de dinheiro e o pousei na mesa com força enquanto sentava, o estalajadeiro virou-se rapidamente:

   – O que significa isso criança?

   – Espero que isso pague parte da minha estadia mestre Aljor. – Eu disse empurrando o saco de dinheiro em sua direção.

   – Pode guardar meu jovem, sua dívida já foi paga e ainda tem um crédito, receio que esteja com fome, vou providenciar algo. – E com isso virou-se e foi pegar pães, frutas e vinho colocando tudo na mesa à minha frente. Como assim minha dívida estava paga? Como é possível mestre Aljor estar tão sorridente? Comida de graça? Em outras circunstâncias eu não reclamaria, e de fato nem nessas.

   Enfim, a sorte sorria para mim, comi quase tudo que pude e coloquei algumas frutas e um pedaço de pão que sobrou na bolsa que sempre carrego comigo (a garrafa de vinho já havia acabado), em seguida subi ao meu quarto peguei meu alaúde e parti para a taverna Pônei manco, saindo da estalagem, me virei para o estalajadeiro e perguntei para ter certeza da minha sorte:

  – Mestre Aljor, não lhe devo mais nada? – Gritei.

  – Não. – Disse ele com naturalidade.

 

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